"Ao
analisar uma coisa tão simples como uma etiqueta
colada numa banana, pude observar que o que consumimos
é, na verdade, uma ausência –
a ausência do trabalho, a ausência das
relações, estabelecidas entre os sujeitos
consumidores e produtores; a ausência do ambiente
no qual as mercadorias são produzidas, etc..
Consumimos ausências adoráveis; e é
isso que faz nossas sociedades de consumo tão
irresistíveis e tão convidativas:
ninguém precisa refletir a respeito das realidades
da produção capitalista". Susan
Willis, norte-americana - pensadora e crítica
marxisista. |
Embora
a produção agrícola globalizada
tenha avançado sobre uma grande extensão
de terra em todo mundo em consequência dos
pacotes agrícolas que deram início
à chamada Revolução Verde na
década de 80, através de insumos,
veneno e a expansão da indústria de
maquinas agrícolas, é na agricultura
familiar que ainda se apoia mais de 50 por cento
do abastecimento das sociedades em todo o mundo.
No Brasil, a dramática expansão das
fronteiras agrícolas para a fixação
da soja como monucultura principal, vem ameaçando
diversos ecosistemas, entre eles o cerrado brasileiro
e a região amazônica. Somente no entorno
da cidade de Santarém, ao sul do Estado do
Pará, já existe mais de 1 milhão
de hectares de plantio de soja invadindo a floresta
tropical. E o projeto de parceria governo e iniciativa
privada, proposto pelo governo atual, privilegia
uma infra-estrutura de estradas, hidrovias e portos,
todos voltados para atender às demandas do
agronegócio, com o foco voltado principalmente
para a utilização de soja trangênica**.
Mas a tradição do cultivo na terra
e a sabedoria do trato com o meio ambiente através
do conhecimento das regras da natureza ainda se
encontra na herança cultural dos trabalhadores
rurais, populações indígenas
e populações tradicionais. São
as populações indígenas que
ainda guardam bancos de sementes, herdados de nossos
antepassados. São as populações
tradicionais que resistem através de uma
forte base cultural e que são agora o alvo
feroz de multinacionais de sementes e de projetos
que pretendem alcançar a última fronteira
que falta ao capital e destruir essas áreas
de resistência comunitária.
A monocultura é na verdade, uma declaração
de guerra ao solo, é impor uma produção
através de venenos e máquinas pesadas
numa atitude inversa da diversidade da natureza,
da biodiversidade.
Leia coluna de Carlos Walter Porto Gonçalves
sobre transgênicos>>>.
** Veja também matéria
de Lúcio Flavio Pinto sobre o avanço
da soja na Amazônia >>> |
ver também
CASAS DE FARINHA/ACRE
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