Barbara Arise - Jornalista
O
resgate cultural dos "Caminhos do Rei".
Conta a história que há milhares
de anos, entre as cidades de Florianópolis
e Laguna, em Santa Catarina, existia um caminho
histórico traçado pelos índios
Guaranis e que depois foi apropriado pelos colonizadores
- que transportavam os mantimentos que chegavam
de navio para as comunidades, por lombos de animais.
No período colonial, esses caminhos tiveram
importância estratégica na segurança
do país. Neles o Imperador D.Pedro percorreu
para acompanhar a posição das tropas
posicionadas para impedir o avanço de forças
republicanas que no sul lutavam contra o Império.
Por isso foi batizado de "Caminhos do rei",
um conjunto de servidões públicas
que seguem por costões e trilhas de incrível
beleza.
Em tempos recentes, a especulação
imobiliária aterrou mangues, desapareceu
com lagoas e loteamentos foram legalizados, apagando
pegadas seculares de populações
indígenas. Mesmo as pequenas vilas de pescadores
artesanais que se formaram no século passado
se viram obrigadas a buscar novos caminhos para
acessarem suas embarcações que acabarm
isoladas pelas cercas dos "novos proprietários".
Grupos ambientalistas tentam ressuscitar esses
caminhos e estabelecer parcerias com tribos remanescentes
de Guranis, como a Tribo Tecoa Marangatu, de Imaruí,
em Santa Catarina. As fotos desse página
mostram um grupo de representantes dessa tribo
percorrendo um pequeno trecho dos Caminhos do
Rei, onde fizeram uma cerimônia de melancólicos
cantos Guaranis pedindo o fim da invasão
imobiliária e o acesso às praias
que sempre foram públicas.