"Levou
mais de um século para que seringueiros,
ribeirinhos e populações indígenas
descobrissem que são os seus verdadeiros
parceiros e quem são os seus adversários".....
Aziz ABSaber, na introdução do livro
"A luta pela borracha no Brasil" , de
Warren Dean. |
Durante
mais de um século, o seringueiro foi a mão
de obra que operou a grande produção
de borracha nativa da região amazônica.
Deslocado de sua origem nordestina e levado para
a Amazônia para atender às necessidades
de produção que eram demandadas pela
Europa e Estados Unidos, em dois momentos distintos
- no início do século XX e durante
a Segunda Guerra Mundial - o seringueiro foi também
em busca de enriquecimento na extração
do ouro branco da floresta. No entanto a sua participação
sempre foi a do trabalhador sem apoio da legislação
trabalhista, trabalhando em regime de escravidão
pela dívida. Ao chegar em um seringal, fazia
a primeira compra no "barracão central"
e alí já começava a se endividar.
Trabalhando em um área de aproximadamente
500 hectares, em turnos médios de 11 horas
por dia, que começa na madrugada e termina
ao cair da tarde, para fazer o "corte"
nas árvores, a coleta do látex e a
defumação para a feitura da borracha,
o seringueiro produz em média 10 quilos de
látex para pouco mais de de 3 a 4 quilos
de borracha por dia. O valor da borracha é
sempre menor do que o produto final alcança
na ponta das grandes fábricas de borracha.
Em contrapartida, os produtos manufaturados que
o seringueiro necessita comprar, como café,
açúcar, sal, leite em pó, pólvora
e chumbo para a espingarda de caça, são
sempre muito acima dos preços de mercado,
fazendo com que toda a produção de
borracha que ele consegue cumprir pague apenas uma
"parte" da dívida que se acumula
e cresce constantemente. Um seringueiro que produza
constantemente e que tenha a a juda da família
na produção geral, consegue produzir
entre 500 e 700 quilos de borracha por ano. Foram
dois líderes sindicais, os primeiros a se
rebelar contra essa condição. O primeiro
foi Wilson Pinheiro, do Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Brasiléia, que acabou assassinado
em 21 de julho de 1980, com um tiro pelas costas,
dentro da sede do sindicato. Chico Mendes, militando
no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri,
teve sua iderança sindical ampliada pela
visão ambiental e faro aguçado para
as parcerias instituicionais necessárias
que tirariam os seringueiroa do isolamento social
e político. Foi assassinado em 22 de dezembro
de 1988. Estas imagens pretendem mostrar aquilo
que essas duas lideranças defendiam como
causa maior de suas lutas: o modo de vida na floresta,
a adaptação ao meio ambiente e a definição
clara de serem povos da floresta, nela vivendo e
com ela aprendendo. |