ROMARIA
PELA ÁGUA - MANGA/MG
A questão da disponibilidade, acesso e
forma de uso da água na sub-bacia do Riachão,
constitui-se no coração de um conflito
que se arrastou por quase doze anos. Uma história
que há cinco anos vem ocupando espaço
na mídia regional e nacional, cujos protagonistas
figuram, de um lado, os interesses do capital
privado na expressão local dos grandes
irrigantes, das reflorestadoras e mais recentemente
de uma indústria de cimento; do outro,
os interesses dos agricultores, moradores e usuários
históricos deste território e da
água disponível.
As armas empunhadas neste confronto, teve a favor
de um lado, o poder político e a proteção
das instituições públicas,
por muito tempo comprometidas com os interesses
do capital privado, à revelia das leis
e do direito público; e do outro, a mobilização
social e a luta pelo convencimento e apoio da
sociedade. Afinal, o fechamento de pivôs
irrigantes que atefatavam o lençol freático
e tirava dos pequenos agricultores a possibilidade
de continuar sua atividade secular, formalizou
a vitória e a conquista da mobilizaçõa
polpular e a conscientização sobre
o uso sustentável da água. As fotos
desta página mostram uma Romaria pela água,
realizada em 1996, no município de Manga,
na divisa com a Bahia, na beira do rio São
Francisaco. Uma novidade que tem em sua origem
as tradicionais Romarias pela terra organizadas
pela Comissão Pastoral da Terra e que já
mobilizou a sociedade de norte a sul, leste a
oeste do país. Nos anos seguintes, as duas
Romarias se juntaram formando a Romaria pela vida,
pela terra e pelas águas.